Tirol




MONTANHAS. Montanhas imensas, perdidas entre vales enormes que fazem aparecer novas montanhas atrás de cada curva enrolada, cada rampa contorcida, cada escarpa cinzenta. São lindas as paisagens que se me apresentam a cada quilómetro, são extraordinárias as curvas das estradas, e a luz e contra-luz que se vê, sente e aprecia ao virar de cada cruzamento, ou desvio.

Sempre tive curiosidade e finalmente cá estou – no Tirol. Não se avistam “Heidis” por aqui, mas as paisagens carregam-nos ao colo de uma forma quase imediata – as cabanas da montanhas, as pastagens, as elevações gigante de terra com o seu pico branco e brilhante… e as vacas, cabras e outras personagens que se tornaram parte do nosso imaginário. (refiro-me neste parágrafo à geração que viveu as aventuras de Heidi e Pedro como se fossem suas, falo de quem ainda se lembra de ver séries fantásticas onde as armas, perseguições de automóveis e tiroteios ainda não eram obrigatórios…)

De tudo o que vi, dos mais de 1000kms de estradas, de estradinhas, de cidades e pequenas vilas, de passagens de alta montanha e de pontes sobre rios gelados e pequenas lagoas… Um local vai ficar colado na minha memória – arrisco a dizer – para sempre.

Lech é uma terrinha pequena, bem cuidada, arrumada e fantasticamente mantida. Cada casa, cada hotel, restaurante ou casa de hóspedes foi cuidadosamente “colocada” no local ideal. Não há por estas bandas as aberrações habituais dos locais ditos evoluídos, mas durante a minha visita, tive a sensação constante de estar entre seres muito inteligentes – afinal, sabem da importância de manter as coisas no seu lugar, de preservar o tradicional, de manter a maior harmonia possível com o meio que os rodeia, e de fazer tudo isto com uma naturalidade que apenas nos faz pensar (ainda mais) se existirão alguns seres desta linhagem pelas nossas localidades natais…

Um local lindo, único. Um sítio onde quero voltar, onde seria feliz certamente. Onde me senti, muito curiosamente, em casa.

Costa Esmeralda


Final do verão. Dias menos quentes, água mais fria...
Voámos rumo ao incerto, pelo menos no que à meteorologia diz respeito.


Chegados a Sardenha, foi tempo de explorar o território envolvente. Trata-se de uma ilha de encantos profundos, mas simples. Sem recorrer demasiado às habituais ferramentas da industrialização e globalização turísticas, a Sardenha consegue cativar com as suas "armas" naturais. Relativamente pequena, esta região esconde em si muitos recantos deliciosos, cheios de paisagens que nos enchem o peito de felicidade.
As praias são na sua grande maioria limpas, com águas quentes e areias grossas que nos massajam os pés... e o azul destas águas faz sonhar até o menos aventureiro visitante. Este é um sítio que reúne turismos de classes diferentes, pois nem só de praia vive a região. As suas montanhas atraem pela sua grandiosidade e natureza "ainda" bastante selvagem. As estradas que atravessam a ilha são recortadas, estreitas, e mostram-nos o caminho de uma forma hesitante. Fazem as maravilhas dos condutores mais ávidos, e de centenas de motociclistas que se perdem pelo emaranhado de troços alcatroados que rodopiam pela serra acima, e abaixo.
Costa Esmeralda é a zona mais famosa da Sardenha, onde os mais endinheirados turistas passam as suas férias de verão. Muitas caras conhecidas, vedetas da televisão e do cinema, iates e veleiros, carros desportivos de alta cilindrada e mansões, hotéis e resorts vários podem ser encontrados um pouco por toda esta vasta área. No entanto, o que mais impressiona, são as paisagens. Praias lindíssimas rodeadas de montanhas, vegetação abundante e nalgumas zonas, escarpas altas que se elevam rumo ao céu.


Feria de Sevilla


Abril, mês de águas mil, diz tradicionalmente o povo. O nosso povo. Mas aqui bem ao lado, o povo desta grande e muito activa cidade, os sevilhanos dizem: Abril, mês de la feria!

Trata-se de uma experiência fantástica, onde podemos conhecer o poder da igreja neste país, mas acima de tudo o valor que a população dá à tradição. Tudo passa pela fortíssima tradição cultural, enraizada de forma profunda nestas gentes. Durante esta semana, anualmente, todos os membros desta grande comunidade vestem literalmente as roupas dos seus antepassados, e agem como tal. Não há vergonhas, modas, tendências ou recusas perante o antiquado, demodé ou old fashion. Desde tenras idades, e até à mais ansiã membro da família, todas as mulheres vestem os tradicionais vestidos sevilhanos, com formas longas e tecidos rendilhados, cheios de cor e movimento. Estes vestidos não se repetem no decorrer da festa, assim dita a tradição, e nada enche mais de orgulho avós, pais, maridos ou namorados, que ver as "suas mulheres" sempre no seu melhor. Os homens vestem calças clássicas, camisas, gravatas e casacos de cerimónia. Ninguém, sem excepcção, sai à rua sem o fazer efectivamente no seu melhor.

A Feria de Sevilha respira um ambiente de festa, de cultura, de tradição e de diversão que nunca encontrei, de forma tão condensada, pura e viva, em lado algum. São ruas intermináveis, avenidas longas, e muitas, muitas "casetas", num total de 4200. As "casetas" existentes nesta festa tão única, tão especial, tão sevilhana, são espaços onde se come e bebe (muito, e muito bem), e onde a admissão é reservada a convidados ou sócios. Aqui quem é convidado é rei. A mesa está sempre cheia, pratos vários de tapas típicas, e jarros, copos, garrafas de bebidas várias enchem insistentemente as mãos de qualquer convidado.

Uma palavra final para o "Rebujito". Uma bebida que jorra aos litros durante estes dias nesta festa, é na verdade uma mistura de vinho Manzanilha com refrigerante gasoso, servido em jarros com gelo abundante. Resfrescante, doce e enganadoramente fraca, esta bebida acaba por derrubar até os figados mais fortes. Diz-se que os antigos a bebiam pura.

Havaianas e cachecol


Chegou a Páscoa, essa altura do ano em que as famílias se voltam a reunir, em que as refeições, ao bom e velho hábito tuga, se engrandecem, e se alargam no tempo e no espaço. Almoços ou jantares, sempre longos e exagerados, onde as famílias celebram...a Páscoa. As crianças esperam as amêndoas doces, e os ovos de chocolate. Todos cumprimos a nossa parte da "tradição", sendo que alguns aproveitam este intervalo laboral para visitar as nossas praias pela primeira vez no ano, como que em romaria religiosa dos amantes mais fervorosos do verão.

Ou então não. Dizem as estatísticas que o Algarve é um dos principais destinos dos portugueses (e não só), durante a época pascoal. Na procura do bom tempo, do tão aclamado sol de Abril que costuma brindar os visitantes deste território à beira-áfrica plantado, vemos as ruas com mais gente, os hotéis, restaurantes, discotecas e bares, esplanadas e praias com as primeiras visitas "de grupo" de um verão que ainda está longe, mas que é esperado com ânsia e excitação.
E são esta ansiedade e excitação que levam ao re-aparecimento das primeiras chinelas de praia. Chinelos, chanatas, socas, sandálias e as primeiras alças e calções começam a desfilar pelos centros das cidades algarvias durante estes dias.

Mas, porque o nosso sol nem sempre cumpre o prometido, e porque os dias, agora mais generosos na sua luminosidade e duração, ainda não nos dão aquela temperatura acertada - aquela que nos faz lembrar a praia todos os dias, a todas as horas... Esses dias de reduzida indumentária, de despreocupação com a descida de temperatura do anoitecer, ainda tardam.
Por isso parte dos "modelitos" deste final de semana de Páscoa, juntam com relatica harmonia as habitualmente coloridas Havaianas, com o mais inesperado dos cachecóis...

The Inauguration


Novo ano, e mais uma visita de cortesia ao sr Sam, o tio de todos nós.
A Califórnia mostrou-se mais quente do que o que seria de esperar, este inverno é também por aquelas paragens incerto, e o frio das últimas semanas foi violentamente afastado por dias de sol brilhante e intenso nas horas mais esperadas. The fabulous Californian weather, they say!

Trata-se também de uma época histórica. O novo presidente, revolucionário na raça, energético na atitude e prometedor nas suas promessas políticas, vai tomar posse por estes dias. E eis que jornais, revistas, noticiários e programas triviais passam incansavelmente a sua imagem, dia e noite. As suas preferências, a sua história, o seu passado, presente e futuro, a sua família, as suas relações, os seus hábitos e costumes mais comuns, mais mundanos, mais banais...passam a fazer parte de qualquer horário nobre ou programa de final de madrugada radiofónica. Mais que uma tomada de posse, trata-se certamente de um dos mais, se não o mais importante dos eventos. Move multidões, congela o tráfego, a nação pára para ver a passagem de testemunho - The Inauguration, é como lhe chamam os nativos.

A esperança vive por estes dias uma vitalidade muito superior à normal por este continente nortenho, e a população reune-se em êxtase para ver o seu novo presidente. Músicos fazem a cerimónia ganhar mais cor, e mais veracidade, ou não se tratasse tudo, afinal, de um espectáculo muito bem orquestrado. Vivem felizes os nossos primos, e o Tio Sam sorri perante a positividade da nação. A importância deste acontecimento teve até direito a que o sol brilhasse fora de época.

A última do ano


A última do ano aconteceu sábado passado (justamente o último sábado de 2008). Como previsto as criaturas convidadas apareceram a horas (algumas anteciparam-se, mas ao contrário), e deram início ao desafio que se impunha: partir sem rumo, ir por onde mais lhes apetecesse, procurar novos trilhos e escapatórias aos caminhos mais rotineiros e habituais da zona, e tudo isto sem que a ameaça de temporal eminente os afectasse.

Embora não se tivessem registado quedas, ameaças ou mesmo impactos indesejados contra a mãe Terra e os seus por vezes agrestes elementos, há a relatar as dificuldades encontradas logo na primeira hora, em que os audazes se depararam com enooooormes barreiras de terra (pareciam labaredas), intransponíveis à primeira vista. Depois de baixar das montadas os "rangers" caminharam bravamente em frente, contornaram uma série de obstáculos naturais e outros menos (casas, pinheiros, inclinações estúpidas e desertos de areia solta), e conseguiram deixar para trás os largos pantanais de ervas daninhas fortemente enraizadas e canais de irrigação profundos e traiçoeiramente dissimulados na vegetação circundante. No entanto, a maior dificuldade estava para vir. Embora todos os medos se reunissem naquele último desafio, e porque dos fracos não reza a história, os "cavaleiros do apocalipse" levaram a cabo a árdua tarefa de, nas instalações dessa casa de tortura (leia-se Bar Havana) situada à beira-mar (leia-se costa da Península de Faro), e sob fortes ameaças de tempestade e outros males que a mãe natureza por vezes nos oferece, resistentes, de pé e corajosamente "colados" ao balcão do referido estabelecimento, ingerir doses industriais de um líquido de composição desconhecida (mas à base desse fruto silvestre tipicamente Algarvio, o medronho) que os levaria a enfrentar, apenas minutos depois, o restante percurso sem medos ou desculpas. Ai não.......
Vamos a factos: num total percorrido de trinta e três mil, novecentos e cinquenta e seis metros, com uma média horária de aproximadamente 17.3kms/hora e uma duração até ao momento não confirmada - "alguém olhou para o relógio?", os pedaladores viram a última oportunidade do ano de pôr à prova as suas capacidades ciclísticas cumprida.

Las Ramblas


Outubro. Mês de fim de estação, mês de início de inverno. Mês do meu aniversário e este ano, afortunadamente, mês em que consegui umas merecidas férias de início de época. Mala feita e aqui vamos nós - se vou ter pouco tempo de férias, que seja longe da rotina habitual.
O destino pareceu-me uma excelente mistura, quando o que procurava era um local diferente do usual, que não conhecia, relativamente acessível ao meu bolso e de fácil acesso, logisticamente falando. A tudo isto juntava-lhe ainda a pitada que faltava: ser uma "capital cultural" com imensa influência de artistas que me são especiais.


Que vida. Quanta vida emana das ruas, das estradas, das casas, das tascas, bodegas e restaurantes, bares, ruelas, feiras de rua e mercados. Que belos petiscos, que tapas, e que imperiais tão gulosas. Estas foram algumas conclusões logo após as primeiras horas da visita. As imensas ruas pejadas de gente de diferentes raças, credos e nacionalidades, o trânsito infernal de motos e bicicletas que mais parecia uma colmeia de tanta azáfama que os cobria... Edifícios históricos, grandes quer em dimensão, quer em valor religioso ou artístico, dispostos em longas avenidas onde os olhos se perdiam facilmente... tudo emanava imensa energia.


Barcelona seduziu-me, e fiquei fã. Trata-se de uma das mais interessantes cidades que conheço, quer pela sua vida, quer pelas sensações que me proporcionou. Majestosa na sua dimensão, alegre na sua vivência, e viva, muito viva. Gostei muito das pessoas, alegres,simpáticas e prestáveis. Mulheres deslumbrantes na sua aparência cuidada, e muita gente bonita um pouco por todo o lado. Um local que merece certamente uma visita futura.