Pousada Primavera



Regresso à terra encantada da comida maravilhosa, gente boa e carnaval.



É verão e supostamente o tempo seria fantástico - afinal estou no Brasil, né? Não. Na verdade a temperatura é bem agradável, o ar tem uma humidade que não deixa ninguém (nem nenhum poro), indiferentes. E chove. Chove todos os dias, e com uma incidência especial na parte da tarde, especialmente nos dias em que a manhã é especialmente quente - chamam-lhe "verão de São Paulo".



Fugindo da energia desmesurada desta imensa metrópole, deixando avenidas, viadutos e bairros residênciais gigantescos para trás, dirigimo-nos para o interior - destino: Piedade.



Sol, humidade e chuva ocasional (na verdade diária) repetem-se. Num ambiente totalmente "zen", entre colunas de árvores, vários lagos e num vale repleto de verdejante natureza... eis que surgem coloridas e alegres, acolhedoras e simpáticas, cabanas de madeira semeadas pelo morro. Cada casinha tem a sua cor, e em redor de cada uma, as árvores e plantas endémicas abundam. Palmeiras de um verde vivo fazem companhia às buganvilias coloridas que alegram a paisagem e me fazem sentir calmo e feliz.



A Pousada Recanto Primavera tem um encanto próprio, que vai além das charmosas casinhas de madeira humildes no recheio mas agradáveis no convívio. A cozinha apresenta um festim diário de deliciosas comidas típicas da região produzidas conforme os costumes dos autóctones, com fogão a lenha e abundância de frutas de uma qualidade, doçura e riqueza típicas. As sobremesas são totais crimes contra a manutenção de uma alimentação regrada e saudável, e são apenas ultrapassadas pela simpatia de todo o staff, prestáveis e prontos a cumprir cada capricho de um hóspede.



Seria excelente voltar, e embora faltem ainda uns dias para a minha partida, já "estou sentindo saudades desse lugar"...









A CIDADE-ROMÃ



Sempre ouvi dizer que devemos sempre regressar aos locais que nos fizeram anteriormente felizes. Voltei em 2011 à cidade andaluza que mais admiro e recordo, que mais boas sensações me provoca e que sempre recordo com alguma melancolia.

A cidade da Romã (Granada, em castelhano), é actualmente uma das importantes cidades da Andaluzia, região Sul da vizinha Espanha. Com a sua imensa herança árabe, esta é uma cidade viva, na verdadeira acessão da palavra – a população tem crescido nos últimos anos, o aglomerado urbano é agora bastante extenso. Depois de atravessarmos a densa muralha de novos edifícios de habitação, negócios e mesmo alguma indústria e muito comércio… eis que se abre a verdadeira “romã”. Muitos edifícios que remontam aos anos 40 e 50, muitas igrejas e praças, e um sem-fim de construções de origem árabe mostram-nos com muita elegância e alguma mística, que por estas paragens muitas culturas se fizeram valer, e deixaram claramente a sua marca.

Uma dessas marcas são os ainda famosos banhos árabes. Uma tradição com muitas centenas de anos, que subsiste não apenas nos panfletos turísticos da região, mas também nas pessoas, nos hábitos e vivências locais. É possível encontrar estes banhos em vários hotéis, e existem locais onde sob marcação podemos aceder a esta experiência. Altamente recomendável, fazer parte deste mundo subterrâneo, onde as águas, vapores, cores, cheiros e sons são tão únicos, é sem qualquer dúvida, uma experiência a repetir. Banhos Hammam - estas foram horas intensas nas sensações, e fortes para o corpo – águas quentes, muito quente e frias, massagem e chá… de forma aleatória e de acordo com “a vontade”.

O facto de ser local de residência de várias instituições universitárias de grande importância nacional, faz com que se sinta no ar uma cultura jovem, de alguma forma efervescente nas ideias e nas atitudes – e que se mistura com a população local que embora seja sem dúvida alguma, orgulhosamente andaluza, deixa no ar um cheiro a cultura, hábitos e crenças árabes. Esta, como outras misturas, faz desta gente uma excepção, torna-os de alguma forma únicos, especiais. É fácil encontrar gente simpática, hábil na comunicação e até aberta ao diálogo com os visitantes, na sua maioria não falantes da língua local.

Alhambra. Esta é a incontornável maravilha que Granada exibe no alto, esplendorosa e imponente. Trata-se de uma sucessão de construções, muralhas, palácio, castelo e muitos e variados jardins, em que em cada canto se descobrem novas cores, flores, pequenos lagos, sebes ou corredores e escadas em ambientes que variam entre o romântico e o militar. Um local de culto, imperdível para quem visita a cidade, e obrigatório para quem tem a pretensão de conhecer a cultura e história andaluza.

E por falar em incontornável, há que mencionar as famosas tapas de Granada. Sem ser marcadamente diferentes das tapas que podemos encontrar um pouco por todo o lado em território espanhol, as tapas de Granada são diferentes. Em qualquer lugar da cidade, desde que exista um balcão e um ou dois bancos, existem tapas. E como é habitual existem menus de tapas. Mas a melhor e mais genuína experiência que posso recomendar nesta cidade, é pedir apenas uma “caña” num destes locais. Junto com a sua cerveja, virá uma pequena tapa, que é sempre uma surpresa. E é assim, cerveja após cerveja, tapa após tapa, e sem pedir, poderá saborear as mais diferentes formas de prazer dentro de um pequeno prato.

Deixei a “cidade-romã” mais uma vez, mas desta feita com uma sensação mais familiar – vi mais, vi com mais tempo, vivi com mais intensidade e com mais “olhos” do que antes. Sinto que agora faz mais parte de mim, e da minha própria história. Se sinto vontade de voltar? É claro que sim!!!!

Tirol




MONTANHAS. Montanhas imensas, perdidas entre vales enormes que fazem aparecer novas montanhas atrás de cada curva enrolada, cada rampa contorcida, cada escarpa cinzenta. São lindas as paisagens que se me apresentam a cada quilómetro, são extraordinárias as curvas das estradas, e a luz e contra-luz que se vê, sente e aprecia ao virar de cada cruzamento, ou desvio.

Sempre tive curiosidade e finalmente cá estou – no Tirol. Não se avistam “Heidis” por aqui, mas as paisagens carregam-nos ao colo de uma forma quase imediata – as cabanas da montanhas, as pastagens, as elevações gigante de terra com o seu pico branco e brilhante… e as vacas, cabras e outras personagens que se tornaram parte do nosso imaginário. (refiro-me neste parágrafo à geração que viveu as aventuras de Heidi e Pedro como se fossem suas, falo de quem ainda se lembra de ver séries fantásticas onde as armas, perseguições de automóveis e tiroteios ainda não eram obrigatórios…)

De tudo o que vi, dos mais de 1000kms de estradas, de estradinhas, de cidades e pequenas vilas, de passagens de alta montanha e de pontes sobre rios gelados e pequenas lagoas… Um local vai ficar colado na minha memória – arrisco a dizer – para sempre.

Lech é uma terrinha pequena, bem cuidada, arrumada e fantasticamente mantida. Cada casa, cada hotel, restaurante ou casa de hóspedes foi cuidadosamente “colocada” no local ideal. Não há por estas bandas as aberrações habituais dos locais ditos evoluídos, mas durante a minha visita, tive a sensação constante de estar entre seres muito inteligentes – afinal, sabem da importância de manter as coisas no seu lugar, de preservar o tradicional, de manter a maior harmonia possível com o meio que os rodeia, e de fazer tudo isto com uma naturalidade que apenas nos faz pensar (ainda mais) se existirão alguns seres desta linhagem pelas nossas localidades natais…

Um local lindo, único. Um sítio onde quero voltar, onde seria feliz certamente. Onde me senti, muito curiosamente, em casa.

Costa Esmeralda


Final do verão. Dias menos quentes, água mais fria...
Voámos rumo ao incerto, pelo menos no que à meteorologia diz respeito.


Chegados a Sardenha, foi tempo de explorar o território envolvente. Trata-se de uma ilha de encantos profundos, mas simples. Sem recorrer demasiado às habituais ferramentas da industrialização e globalização turísticas, a Sardenha consegue cativar com as suas "armas" naturais. Relativamente pequena, esta região esconde em si muitos recantos deliciosos, cheios de paisagens que nos enchem o peito de felicidade.
As praias são na sua grande maioria limpas, com águas quentes e areias grossas que nos massajam os pés... e o azul destas águas faz sonhar até o menos aventureiro visitante. Este é um sítio que reúne turismos de classes diferentes, pois nem só de praia vive a região. As suas montanhas atraem pela sua grandiosidade e natureza "ainda" bastante selvagem. As estradas que atravessam a ilha são recortadas, estreitas, e mostram-nos o caminho de uma forma hesitante. Fazem as maravilhas dos condutores mais ávidos, e de centenas de motociclistas que se perdem pelo emaranhado de troços alcatroados que rodopiam pela serra acima, e abaixo.
Costa Esmeralda é a zona mais famosa da Sardenha, onde os mais endinheirados turistas passam as suas férias de verão. Muitas caras conhecidas, vedetas da televisão e do cinema, iates e veleiros, carros desportivos de alta cilindrada e mansões, hotéis e resorts vários podem ser encontrados um pouco por toda esta vasta área. No entanto, o que mais impressiona, são as paisagens. Praias lindíssimas rodeadas de montanhas, vegetação abundante e nalgumas zonas, escarpas altas que se elevam rumo ao céu.


Feria de Sevilla


Abril, mês de águas mil, diz tradicionalmente o povo. O nosso povo. Mas aqui bem ao lado, o povo desta grande e muito activa cidade, os sevilhanos dizem: Abril, mês de la feria!

Trata-se de uma experiência fantástica, onde podemos conhecer o poder da igreja neste país, mas acima de tudo o valor que a população dá à tradição. Tudo passa pela fortíssima tradição cultural, enraizada de forma profunda nestas gentes. Durante esta semana, anualmente, todos os membros desta grande comunidade vestem literalmente as roupas dos seus antepassados, e agem como tal. Não há vergonhas, modas, tendências ou recusas perante o antiquado, demodé ou old fashion. Desde tenras idades, e até à mais ansiã membro da família, todas as mulheres vestem os tradicionais vestidos sevilhanos, com formas longas e tecidos rendilhados, cheios de cor e movimento. Estes vestidos não se repetem no decorrer da festa, assim dita a tradição, e nada enche mais de orgulho avós, pais, maridos ou namorados, que ver as "suas mulheres" sempre no seu melhor. Os homens vestem calças clássicas, camisas, gravatas e casacos de cerimónia. Ninguém, sem excepcção, sai à rua sem o fazer efectivamente no seu melhor.

A Feria de Sevilha respira um ambiente de festa, de cultura, de tradição e de diversão que nunca encontrei, de forma tão condensada, pura e viva, em lado algum. São ruas intermináveis, avenidas longas, e muitas, muitas "casetas", num total de 4200. As "casetas" existentes nesta festa tão única, tão especial, tão sevilhana, são espaços onde se come e bebe (muito, e muito bem), e onde a admissão é reservada a convidados ou sócios. Aqui quem é convidado é rei. A mesa está sempre cheia, pratos vários de tapas típicas, e jarros, copos, garrafas de bebidas várias enchem insistentemente as mãos de qualquer convidado.

Uma palavra final para o "Rebujito". Uma bebida que jorra aos litros durante estes dias nesta festa, é na verdade uma mistura de vinho Manzanilha com refrigerante gasoso, servido em jarros com gelo abundante. Resfrescante, doce e enganadoramente fraca, esta bebida acaba por derrubar até os figados mais fortes. Diz-se que os antigos a bebiam pura.

Havaianas e cachecol


Chegou a Páscoa, essa altura do ano em que as famílias se voltam a reunir, em que as refeições, ao bom e velho hábito tuga, se engrandecem, e se alargam no tempo e no espaço. Almoços ou jantares, sempre longos e exagerados, onde as famílias celebram...a Páscoa. As crianças esperam as amêndoas doces, e os ovos de chocolate. Todos cumprimos a nossa parte da "tradição", sendo que alguns aproveitam este intervalo laboral para visitar as nossas praias pela primeira vez no ano, como que em romaria religiosa dos amantes mais fervorosos do verão.

Ou então não. Dizem as estatísticas que o Algarve é um dos principais destinos dos portugueses (e não só), durante a época pascoal. Na procura do bom tempo, do tão aclamado sol de Abril que costuma brindar os visitantes deste território à beira-áfrica plantado, vemos as ruas com mais gente, os hotéis, restaurantes, discotecas e bares, esplanadas e praias com as primeiras visitas "de grupo" de um verão que ainda está longe, mas que é esperado com ânsia e excitação.
E são esta ansiedade e excitação que levam ao re-aparecimento das primeiras chinelas de praia. Chinelos, chanatas, socas, sandálias e as primeiras alças e calções começam a desfilar pelos centros das cidades algarvias durante estes dias.

Mas, porque o nosso sol nem sempre cumpre o prometido, e porque os dias, agora mais generosos na sua luminosidade e duração, ainda não nos dão aquela temperatura acertada - aquela que nos faz lembrar a praia todos os dias, a todas as horas... Esses dias de reduzida indumentária, de despreocupação com a descida de temperatura do anoitecer, ainda tardam.
Por isso parte dos "modelitos" deste final de semana de Páscoa, juntam com relatica harmonia as habitualmente coloridas Havaianas, com o mais inesperado dos cachecóis...

The Inauguration


Novo ano, e mais uma visita de cortesia ao sr Sam, o tio de todos nós.
A Califórnia mostrou-se mais quente do que o que seria de esperar, este inverno é também por aquelas paragens incerto, e o frio das últimas semanas foi violentamente afastado por dias de sol brilhante e intenso nas horas mais esperadas. The fabulous Californian weather, they say!

Trata-se também de uma época histórica. O novo presidente, revolucionário na raça, energético na atitude e prometedor nas suas promessas políticas, vai tomar posse por estes dias. E eis que jornais, revistas, noticiários e programas triviais passam incansavelmente a sua imagem, dia e noite. As suas preferências, a sua história, o seu passado, presente e futuro, a sua família, as suas relações, os seus hábitos e costumes mais comuns, mais mundanos, mais banais...passam a fazer parte de qualquer horário nobre ou programa de final de madrugada radiofónica. Mais que uma tomada de posse, trata-se certamente de um dos mais, se não o mais importante dos eventos. Move multidões, congela o tráfego, a nação pára para ver a passagem de testemunho - The Inauguration, é como lhe chamam os nativos.

A esperança vive por estes dias uma vitalidade muito superior à normal por este continente nortenho, e a população reune-se em êxtase para ver o seu novo presidente. Músicos fazem a cerimónia ganhar mais cor, e mais veracidade, ou não se tratasse tudo, afinal, de um espectáculo muito bem orquestrado. Vivem felizes os nossos primos, e o Tio Sam sorri perante a positividade da nação. A importância deste acontecimento teve até direito a que o sol brilhasse fora de época.

A última do ano


A última do ano aconteceu sábado passado (justamente o último sábado de 2008). Como previsto as criaturas convidadas apareceram a horas (algumas anteciparam-se, mas ao contrário), e deram início ao desafio que se impunha: partir sem rumo, ir por onde mais lhes apetecesse, procurar novos trilhos e escapatórias aos caminhos mais rotineiros e habituais da zona, e tudo isto sem que a ameaça de temporal eminente os afectasse.

Embora não se tivessem registado quedas, ameaças ou mesmo impactos indesejados contra a mãe Terra e os seus por vezes agrestes elementos, há a relatar as dificuldades encontradas logo na primeira hora, em que os audazes se depararam com enooooormes barreiras de terra (pareciam labaredas), intransponíveis à primeira vista. Depois de baixar das montadas os "rangers" caminharam bravamente em frente, contornaram uma série de obstáculos naturais e outros menos (casas, pinheiros, inclinações estúpidas e desertos de areia solta), e conseguiram deixar para trás os largos pantanais de ervas daninhas fortemente enraizadas e canais de irrigação profundos e traiçoeiramente dissimulados na vegetação circundante. No entanto, a maior dificuldade estava para vir. Embora todos os medos se reunissem naquele último desafio, e porque dos fracos não reza a história, os "cavaleiros do apocalipse" levaram a cabo a árdua tarefa de, nas instalações dessa casa de tortura (leia-se Bar Havana) situada à beira-mar (leia-se costa da Península de Faro), e sob fortes ameaças de tempestade e outros males que a mãe natureza por vezes nos oferece, resistentes, de pé e corajosamente "colados" ao balcão do referido estabelecimento, ingerir doses industriais de um líquido de composição desconhecida (mas à base desse fruto silvestre tipicamente Algarvio, o medronho) que os levaria a enfrentar, apenas minutos depois, o restante percurso sem medos ou desculpas. Ai não.......
Vamos a factos: num total percorrido de trinta e três mil, novecentos e cinquenta e seis metros, com uma média horária de aproximadamente 17.3kms/hora e uma duração até ao momento não confirmada - "alguém olhou para o relógio?", os pedaladores viram a última oportunidade do ano de pôr à prova as suas capacidades ciclísticas cumprida.

Las Ramblas


Outubro. Mês de fim de estação, mês de início de inverno. Mês do meu aniversário e este ano, afortunadamente, mês em que consegui umas merecidas férias de início de época. Mala feita e aqui vamos nós - se vou ter pouco tempo de férias, que seja longe da rotina habitual.
O destino pareceu-me uma excelente mistura, quando o que procurava era um local diferente do usual, que não conhecia, relativamente acessível ao meu bolso e de fácil acesso, logisticamente falando. A tudo isto juntava-lhe ainda a pitada que faltava: ser uma "capital cultural" com imensa influência de artistas que me são especiais.


Que vida. Quanta vida emana das ruas, das estradas, das casas, das tascas, bodegas e restaurantes, bares, ruelas, feiras de rua e mercados. Que belos petiscos, que tapas, e que imperiais tão gulosas. Estas foram algumas conclusões logo após as primeiras horas da visita. As imensas ruas pejadas de gente de diferentes raças, credos e nacionalidades, o trânsito infernal de motos e bicicletas que mais parecia uma colmeia de tanta azáfama que os cobria... Edifícios históricos, grandes quer em dimensão, quer em valor religioso ou artístico, dispostos em longas avenidas onde os olhos se perdiam facilmente... tudo emanava imensa energia.


Barcelona seduziu-me, e fiquei fã. Trata-se de uma das mais interessantes cidades que conheço, quer pela sua vida, quer pelas sensações que me proporcionou. Majestosa na sua dimensão, alegre na sua vivência, e viva, muito viva. Gostei muito das pessoas, alegres,simpáticas e prestáveis. Mulheres deslumbrantes na sua aparência cuidada, e muita gente bonita um pouco por todo o lado. Um local que merece certamente uma visita futura.

Sam? Who the hell is Sam?



Uma visita há muito prometida, uma cidade que sempre me havia deixado curioso, e um sítio onde gostaria de ir antes de morrer. E eis que nos idos de Julho realizo esta vontade...

Praga mostrou-se um mundo diferente de fora para dentro. Ao sair do aeroporto avistam-se largos campos verdes, algumas máquinas agricolas e casas dispersas no horizonte que cedo se entrelaçam com edifícios espelhados que guardam a estrada de acesso à cidade, antevendo sinais de modernismo. Estradas rodeadas de campos verdes, edifícios modernos, e uma agitação moderada que nos deixa perceber que o ritmo de vida imposto é bem aceite pela população.

Em alguns dias calcorreámos as ruas, os jardins, os palácios, os monumentos, os bares de jazz e as cervejarias. Não é grande esta cidade, mas encerra em si a grandiosidade que só um sítio tão rico culturalmente nos deixa apreciar plenamente. Os monumentos sucedem-se, rua após rua, e as estátuas, pracetas e edifícios nobres espreitam a cada esquina. A beleza da arquitectura é inegável, e é um sítio onde sabe bem parar. Parar e saborear o clima, o ambiente, o desfilar de gente bonita, arranjada e bem disposta. Apreciar a cerveja fresca servida em copos grandes, e as salsichas com legumes envinagrados picantes, que nos obrigam a pedir mais uma cerveja. Sentar nas esplanadas e sorrir para o sol é algo que parece natural nesta terra. A língua estranha, enrrolada na sua fonética e imcompreensível para o comum tuga, ouve-se em burburinho, lá atrás, enquanto a fresca bebida desce rapidamente e nos traz ao paladar aquele agradável sentimento de bem-estar, a felicidade. Sam? Who the hell is Sam? Aqui respira-se a verdadeira europa, o "savoir-vivre" e a grandiosidade de espírito que só uma cultura rica em história nos pode dar.

O Moldava (Vltava, em checo), atravessa a cidade não como uma serpente, mas como um tapete confortável e bonito, que queremos que as nossas visitas vejam. As suas curvas são suaves e belas, e as muitas pontes que o atravessam ajudam a decorar esta pictoresca vista. Praga parece ter sido produzida por encomenda, construída com base nos caprichos de um rei poderoso e pessoa de bom gosto, a quem a beleza de cada canto importava. Neste largo rio de águas salobras navegam dezenas de barcos, todos transportam turistas que se deliciam com as imagens únicas que das suas margens se avistam. A cidade brilha em todo o seu esplendor, casa sobre casa, torre atrás de torre, telhados e janelas requintadamente decoradas sobresaem e mostram-se, orgulhosas da sua formosura, perante nós.

Uma experiênica a repetir. Um destino recomendável.

Gold Land


E eis que pela sexta vez me vejo na terra do dito tio - este que não sendo genuinamente meu, é de toda a gente, e assim, generalizo o termo, e torno ainda mais popular este laço familiar -visitei o nosso Tio Sam.

Neste estado a dimensão habitualmente exagerada das coisas ganha porporções épicas. A caminho da estância de destino atravessamos o "ten mile valley". Rodeado por monstros de pedra que se erguem de tal forma vertical, que nos dão a sensação de serem coisas vivas. Escarpas de rocha onde as árvores teimaram em crescer, e onde os mais aventureiros teimaram escavar. Avistam-se minas antigas, abandonadas e dispersas, como de fantasmas a quem já ninguém liga ou de quem ninguém foge.
Outrora a terra onde a febre do ouro atacou violentamente uma sociedade sedenta de riqueza e cega pela promessa de uma fortuna fácil, eis-me no estado do Colorado. Reinam as estradas largas, as auto-estradas de 3 e 4 vias, que se separam da faixa de rodagem contrária por largos metros de declive topográfico, por rochas, por pequenos aglomerados de árvores, e por insólitas escarpas de pedra. Muito tráfego, e junto a este rio de gasolina e cheiro a borracha, acompanham-nos sempre pequenos aglomerados de casas que nos deixam sonhar com o velho oeste, onde a construção de uma mina criava condições à existência de um pequeno bar, de um grupo de casas, e de uma estrada de terra por onde passavam os cavalos e as carroças com abastecimentos para os mineiros. Vejo ao longe um velho carril que espreita por uma escarpa, inacabado, como se o seu suicídio tivesse sido congelado pelo tempo. Três carruagens ferrugentas e muito velhas agrupadas à entrada da velha mina parecem manter entre si uma conversa sobre os bons velhos tempos, em que elas eram úteis e bem tratadas, oleadas e encarregues de trazer para o exterior os detritos de onde seria depois retirado o valioso minério.
Estamos mais uma vez num país moderno, que guarda as imagens da sua história recente, e que não tem medo de as usar.
Já na estância de Copper Mountain vemos um moderno e bem organizado complexo que faz as delícias dos amantes da neve durante os invernos, e que, com os seus quase 4000 metros de altura, deixa agora no relativo calor do verão, que os amantes do ciclismo de montanha se atrevam a descer violentamente os trilhos esculpidos pelas encostas desta colosal montanha.

Instinto Assassino


O que se passa nos dias de hoje nas nossas estradas....É por vezes assustador.
Com a vinda do verão, este vosso ferrenho e orgulhosamente Algarvio, sente na pele a presença de automobilistas vindos do além.
Com isto digo, ou quero dizer, além-fronteiras (as fronteiras do Algarve com o resto do pais já viram dias mais claros, pelo menos em termos geográficos, já que politicamente deixaram de existir...).
Alguém disse que a população do Algarve quintuplica cada vez que o Verão nos visita. Creio que sim, é verdade. Creio não, tenho a certeza.
Avalio este crescendo de anormalidades malabarísticas efectuadas por condutores "de férias" (são piores que os vulgares condutores de domingo, pois esses, como o nome indica, conduzem só ao domingo) como uma prova clara da nossa imaturidade enquanto país onde existem estradas - estradas essas pagas por nós, e onde até nos deixam circular.
São como crianças (e muito mal educadas) atrás de um volante de um jogo da PS2, ou de um carrinho de choque da feira popular...sem respeito, sem regras, num jogo agressivo onde o que interessa é chegar primeiro. Só nunca percebi onde é que o dito instinto animal quer chegar primeiro. Ao hospital!? Às vezes, parece-me claro que sim.
Há que encher bem o peito de ar, e esperar que 5 vezes mais automóveis não indiquem préviamente mudança de direcção, 5 vezes mais condutores andem lentamente a passear pelas vias rápidas (de braço fora do vidro e pés no tablier) aproveitando a paisagem, o ar fresco e fazendo simultaneamente com que 25 outros condutores, atrás deste, lhe chamem nomes que não ouso reproduzir aqui e que o mandem vltar para a terrinha da senhora mãe deles... Que 5 vezes mais animais passem por nós sem nos tocar, que 5 vezes mais viaturas façam 5 vezes mais ultrapassagens estúpidas e suicidas, e que 5 vezes mais semáforos sejam desrespeitados.
Cinco vezes boa sorte, amigos!

Nota: Não escrevia aqui uma linha desde Novembro passado. Da terra do Tio Sam passo agora para a "nossa terra"... e deixo no ar a questão: será que este Tio Sam não é já tio de meio-mundo?!

Reino sem princesa


As ruas continuam grandes, as estradas continuam longas e intermináveis, e as casas continuam grandes e diferentes, espaçadas com o à vontade de uma vaca num vasto pasto, no grande território californiano. De madeira e gesso, com cores ténues que podem ter grandes variações de tom, janelas generosas, quintais gigantes, jardins arranjados e garagens enoooormes (quase como labaredas). O tempo continua bom (isto segundo os locals, que dizem que está a ser um outono bem quente), embora o sol só mostre a sua amizade calorosa nas horas em que está mais vertical, e as manhãs e fins de tarde tragam temperaturas geladas, humidade e até nevoeiro.

Os dias correm. Acelerados e sem pausas. Passam depressa e são extremamente agitados. Todos os dias se fazem muitas coisas novas, e se aprendem outras tantas. Todos os dias se conhecem pessoas novas, que fazem coisas diferentes, em sítios diferentes, de forma diferente. Todos os dias conheço mais e melhor a empresa e as mentes que levam continua e incessantemente para a frente ideias inovadoras... e de sucesso. São mentes muito mais modestas do que o que seria de esperar, e incansáveis no capítulo do imaginário. Existe no ar deste grande edifício um cheiro a ideias frescas saltedas com um pouco de loucura e um cheirinho de inconsequência gerado em torno de um desporto que adoro - gosto disto!

Mas é no final destes longos dias de horários californianos adubados com temperaturas instáveis e recheados com molhos multi sabores, que reconheço sentir falta dos ares portucalenses, do meu mar, dos mais próximos amigos. A solidão sentida nas longas noites passadas atrás do monitor começam a tornar-se bastante incómodas, repetitivas e cansativas. As imagens de casa cheiram bem, as vozes de quem está mais próximo sabem a pouco.

Creio que nas palavras dos antigos o termo se chamava: Saudade.

Frase do Dia

" Acredita que o mundo não acaba se nós pararmos,
mas nós podemos acabar, e não vai ser isso que vai parar o mundo! "

by Hugo Mckoy

Ou então não.

"Throughout The Centuries There Were Men
Who Took First Steps Down New Roads
Armed With Nothing But Their Own Vision"
by Ayn Rand

"Desde os exórdios da humanidade, individuos munidos
com nada mais que a sua estupidez natural
enveredaram por caminhos nunca antes trilhados,
e acabaram por se desnortear e levar a cabo
infindas expedições que os levaram a
lugares que não interessavam a mais ninguém"
por Hugo Mckoy

...ou então não.

Land of oportunities


Existem coisas curiosas em todas culturas. Existem coisas interessantes em todos os sítios. Existem coisas únicas em cada país. E eu descobri mais uma.

Por cá existem muitas diferenças, umas assustadoras, outras assustadoramente dissimuladas. No fundo, falamos de um país com um crescimento acelerado que sobreviveu vivo e a alta velocidade durante décadas, e isso tem o seu preço. O crescimento da economia tem sempre repercurssões na sociedade. Infelizmente nem sempre positivas.

No estômago de um gigante que não pára de crescer, o trabalho cresce exponencialmente. Criam-se muitos postos de trabalho, e como tal muitas casas, e como tal muitas famílias, e como tal muitas escolas, igrejas, restaurantes, lojas, clubes de bowling, e ruas, estradas, auto estradas, avenidas, parques de estacionamento... e placas de sinalização.

Isso, placas de sinalização. Quando me apercebi do fenómeno, lembrei-me imediatamente da velha "classificação" do novo continente - Land of oportunities". Isto porque imaginei que alguém que se dedique pura e simplesmente a fazer placas, desenhar, recortar, pintar, inventar... tem futuro nesta terra.

Para todo o lado, por todo o lado, em todas as direcções, lá estão elas - placas e mais placas e mais placas de sinalização. Umas avisam, outras explicam, outras indicam e outras são hilariantes. São de plástico, de metal, são grandes, médias, assim-assim e pequenas. São coloridas, muito coloridas, ou então nem por isso. Mas são muitas, imensas, por todo o lado e em todo o sítio. Porque tudo e todos têm de ser avisados, existem placas para nos dizer que as rochas são escorregadias, que não podemos levar o cão para a praia, para nos indicar a direcção da cidade mais próxima e para avisar que, naquele sítio, existem cabos debaixo do solo, e por isso devemos avisar os senhores da placa do lado antes de começarmos as escavações. Existem placas que afixam horários de funcionamento, placas que nos dizem o que é proibido e outra, mesmo ao lado, que no diz quanto vamos pagar se não cumprirmos a lei. Existe até uma placa que nos diz que temos de atravessar na passadeira, e outra logo abaixo que indica por onde devemos seguir. Existem até placas que nos avisam que à noite a visibilidade é menor... não vamos nós cair ao mar.

Uma coisa é certa, nesta terra quem não lê não sobrevive.

Riscas e Estrelas


Passados dezasseis dias da minha chegada à terra do meu tio Sam (que segundo uma pesquisa que fiz na net é um parente afastado da prima em terceiro grau da cunhada do vizinho do primeiro andar de um amigo de um primo de uma das tias do meu pai que mora lá para os lados de Carrazeda de Ansiães), continuo a ser mais um extraterrestre em Marte. A distância cultural é grande, mas é no sentido práctico das coisas e da vida quotidiana que encontro a maior discrepância.

À medida que o tempo passa conheço mais e melhor esta cultura sintética e aprisionada na sua própria teia de pseudo-segurança, e dou mais valor aquelas pequenas coisas a que nos habituámos, lá na terrinha. A minha presença não passa despercebida, mas a proximidade plástica e simpatia obrigatória dos "locals" não me comove. Os serviços funcionam, mas as motivações gerais da classe operária/comercial são apenas características técnicamente básicas de uma formação profissional massiva e totalmente desprovida de características pessoais.

Sinto saudades. Coisas simples e outrora pouco significantes ganham agora um valor maior - beber um café passou a ser uma tarefa impossível, e passear na praia passou a ser demasiado complicado. Jantar fora passou a ser disgestivamente perigoso, e pedir uma cerveja passou a ser um acto de bravura... As ruas estão limpas, e existe vegetação por todo o lado, mas ninguém anda a pé e ninguém lê um livro à sombra de uma árvore.. Sinto que não há vida real nas redondezas, e que todos funcionam como uma comunidade de personagens automatizadas que se limitam a cumprir os procedimentos do software com o qual foram programadas na sua criação. Estão todos nos mesmos lugares, às mesmas horas a comer as mesmas coisas. Uma rotina aborrecida que é levada em mãos pelos sorrisos impostos pelos empórios comerciais, e que conduzem milhares de famílias ao tédio culturalmente aceite por estas gentes admiradoras do poder da sua nação. "God Bless America" é o grito de guerra que une estes milhares de seres.
E é chegada a hora de jantar, numa visita curta compro uma sandes na Subway, arriscando só o essêncial, sem molhos nem outras substâncias duvidosas. Uma bebida que tem de ser obrigatoriamente grande, e é sempre necessário pedir para não acrescentar batatas fritas - e o mais importante, nunca esquecer aquela parcela de cerca de 10% do valor da conta, que em palavras lusas seria chamada de "gorjeta", sendo que por estes lados, é socialmente obrigatória.
Sim, OBRIGATÓRIA.

The Big Easy



Em todos os continentes existem lendas, em todas as terras existem sítios lendários, e em todos os negócios existem pessoas lendárias. São histórias que se repetem de boca em boca durante anos, algo que alguém ouviu e contou a alguém que por acaso estava próximo... Histórias verídicas, histórias fantásticas, às vezes histórias com muita imaginação à mistura, outras que podemos apenas considerar mitos urbanos. Histórias em que realmente acreditamos, outras em que queremos acreditar. Umas fazem-nos sonhar, outras apenas nos fazem rir bem alto e fazer troça.

No sítio para onde vim existe um senhor simpático, alto e sorridente, magro e descontraído, jovial para os seus 55 anos de idade, que adora andar de bicicleta. Mike foi o fundador de uma grande empresa do ramo das bicicletas e acessórios, e ainda hoje assume a função de presidente. "Conta a lenda" que existe um percurso bastante habitual para Mike, e que se resume em partir da sua casa bem cedo, e atravessar as montanhas que separam Silicone Valley do Oceano Pacífico, através de estradas secundárias, labirínticas e serpentantes, chegar perto do mar, e voltar por estradas de categoria semelhante, e fazer este exercício físico e mental durante horas, atingindo distâncias respeitáveis e assustadoras para muitos, e regressar finalmente a sua casa, onde normalmente a sua esposa serve um refeição rica em hidratos de carbono.

The Big Easy, é a "voltinha habitual" que Mike adora fazer, e é talvez, na minha opinião, lendária. Não foi a primeira vez que ouvi referências de várias pessoas, até mesmo de gente sem qualquer ligação à empresa de Mike, e que a mensagem remetia para a dificuldade e a resistência necessária. Sentia-se sempre no ar um respeito e um sentimento de admiração geral cada vez que ouvi falar da "lendária Big Easy".

E eis que o inesperado (e temido), me acontece. Esta semana, no pequeno almoço de grupo que é servido na empresa todas as sextas feiras, Mike veio falar comigo, cumprimentou-me e perguntou se eu estava a gostar de cá estar... e se queria ir andar com ele no dia seguinte. Se existem alturas em que nos sentimos pequeninos, congelados, perplexos, encurralados ou amedrontados, este foi um desses momentos. Sorri em tons de amarelo canário. Hesitei... e disse que sim. Nestes momentos, até os mais bravos se calam, até os mais destemidos pensam duas vezes. Mike Sinyard convidou-me para a Big Easy - estou tramado, pensei. Mas nestas coisas dos desafios, há que arriscar. Eu não podia dizer que não, e mesmo o facto de estar ainda na fase de rescaldo de uma constipação, ou mesmo as noites mal dormidas iriam soar a desculpas falsas, e eu não me iria perdoar.

Sábado, oito da manhã, um frio de rachar e lá estamos nós, à porta da casa de Mike, nos arredores de Morgan Hill. Carregados de barras energéticas, água e quadradinhos de marmelada, como qualquer Indiana Jones antes da sua incurssão pelo desconhecido. Esta ia doer, era sabido. Saímos num grupo de cinco, e o ar gelado da manhã já fazia prever o desconforto que nos esperava. O número de colinas que ultrapassámos ficou gravado nos músculos das minhas pernas, as paisagens fantásticas destas florestas ficaram na minha mente, e as descidas rápidas e perigosas deixaram marcas nos meus travões.
Subidas íngremes, subidas lentas, subidas curtas e subidas longas, alcatrão velho, alcatrão novo, troços em terra batida (sim, em terra batida!), curvas longas em descidas velozes, curvas impossíveis em descidas suicidas, e longas rectas intermináveis em estradas ladeadas pelas famosas quintas californianas, onde se anda a cavalo, se faz bom vinho, e se constroem casas gigantes em madeira e gesso. Paragens curtas mas abençoadas, e cidades com ruas limpas e simpáticas, que apenas nos viam passar por breves segundos.

Chegámos a casa de Syniard por volta das três da tarde, com dores em pontos nos quais eu desconhecia que era possível ter dores, almocei um spaguetti de trigo e uma salada verde e soculenta. Um sorriso na cara de todos dizia bem alto: This was a hell of a ride, wasn't it?!

Pessoalmente sei que esta foi uma experiência que não vou esquecer. As 83 milhas (para os distraídos são mais coisa menos coisa cerca de 133.57kms de alcatrão português), pesam-me nas pernas, mas o sentimento de realização pessoal ultrapassa as dores que sinto.

Hoje foi um dia memorável, pois vivi a lendária "Big Easy".

Ouro Negro


Hello fellows americans! Pois é, meus amigos, esta é sem dúvida uma sociedade muito diferente da nossa. Não me são estranhas as guerras que se vêem por aí, guerras que existem não para lutar pela liberdade, não pela justiça, mas por petróleo. Sim, não é pelo povo, ou pela liberdade de expressão, não pelo ouro, não pelos dólares, não pelo minério ou praias paradisíacas, ou terras férteis, ou mesmo diamantes, pedras preciosas... mas pelo petróleo.

É ele o que move esta nação.


Desde que cheguei procuro perceber que transporte poderei usar. Depois da aventura do meu primeiro fim de semana, resolvi racionalizar o meu pensamento, e admitir que andar a pé nesta cidade é impracticável. Tentei a bicicleta, que funciona na perfeição, mas as horas tardias em que chego "a casa", e as horas tardias em que abandono " o lar", não permitem uma utilização segura do meu veículo de eleição.


E lá está, voltamos à política. Numa terra devota à larga escala generalizada, onde tudo é grande sem razão aparente, onde o exagero faz parte do habitual anormal, onde o "mais é melhor" governa a razão e a medida... é tudo simplesmente gigante. Assim, pessoas, casas, estradas, carros, armazéns... you name it - são GRANDES.


Petróleo. Sim, petróleo. Neste país de dimensões continentais, é ele, o petróleo, que governa. E governa porque as artérias que levam e trazem o sangue para o coração do país, trabalham a gasolina. Sim, a gasolina.


Então todos nós, americanos, temos de ter carro. TEMOS de ter carro para ir ao supermercado, para ir ao restaurante, para a escola ou para o emprego. Temos de ter carro para levar a criança ao médico, mas também para ir ao drive-in do McDonald's, para ir passear o cão ao parque, ou para ir comprar o jornal. Temos de ter carro para ir procurar um "café" na esquina remota de um parque comercial, e temos de ter um carro para procurar um local que venda vitaminas para as constipações. Temos de ter um carro e temos de consumir gasolina.


E que tal este belo exemplo que encontrei ainda ontem? Alguém está interessado?

The Room


Só hoje tive algum tempo para parar e olhar em meu redor. Vejo um quarto de hotel típico daquelas séries policiais que passavam na televisão, e a que nos habituámos viciadamente a ver. O chão alcatifado lembra-me o CSI, onde todos os dias são descobertas amostras de dna dos assassinos em fuga. Por curiosidade, também aqui se pode ligar a TV e ver episódios do CSI em vários canais, às vezes simultaneamente.


Suficientemente grande, uma cama "king bed", a/c, uma casa de banho espaçosa, uma tábua de passar a ferro e o respectivo junto da zona de arrumação e uma mini cozinha logo na entrada indica que este é um hotel diferente.

Trata-se da cadeia Extended Stay America, que se dedica a disponibilizar quartos para estadia prolongadas, com serviço de cozinha - ah, é verdade, também tenho um frigorífico e um micro wave! Cool!! Posso aquecer pizzas e beber cerveja fria!!!


Para hoje, o menu é apple & cinnamon muffin (gigante) e um chazinho feito aqui pelo JE, que já descobriu onde andam as panelas desta casa. Enquanto aqueço a água e improviso a mesa para este maravilhoso e suculento snack, não consigo deixar de pensar no programa "Survivor".

Eles pelo menos podiam apanhar fruta das árvores...